Empresários de Grajaú associam clientes a furtos por disputa eleitoral e caso gera revolta
Gravações postadas na internet podem motivar processo coletivo na Justiça por conduta discriminatória no comércio.

Três empresários de Grajaú publicaram vídeos nas redes sociais associando frequentadores e opositores políticos a crimes de furto no comércio da cidade. As gravações ganharam força nesta semana, em meio ao clima acirrado da reta final da campanha eleitoral no município.
Em um dos registros, a empresária do setor de moda Vanuza Latão filma um diálogo com Cíntia, responsável pela Churrascaria Nacional. Na mesa do restaurante, as duas zombam do uso do vermelho abaixo do copo e insinuam que clientes com essa cor furtam canecas e utensílios do local.
Em outro vídeo, o proprietário do Chopp Agnes, Ronaldo Nunes do Nascimento Sousa, comemora a dispersão de uma carreata partidária em frente ao bar. O comerciante afirma que, pela primeira vez, ninguém subtraiu itens da casa, acusando abertamente o público de atos adversários de levar copos e talheres.
As postagens provocaram forte indignação e mobilizaram cobranças legais na cidade. O Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente qualquer estabelecimento de tratar clientes com diferença ou constrangimento por razões ideológicas. Além disso, o Código Civil estabelece que acusar consumidores de crimes nas redes sociais ultrapassa a liberdade de expressão e gera dever de indenização.
Moradores relatam receio de frequentar pontos tradicionais de alimentação por medo de hostilidade ou recusa velada de serviço. Juristas alertam que a reincidência dessas atitudes no comércio local abre caminho para a atuação do Ministério Público por meio de Ação Civil Pública em defesa dos direitos coletivos da população.