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EXCLUSIVO: Médico de Grajaú é acusado de segurar pacientes para barrar voto

Mensagens obtidas pela reportagem apontam adiamento intencional de altas no domingo de eleição; dados do Ministério da Saúde mostram vínculos em pronto-socorros da Grande São Paulo.

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O Grajaú Central revela, em primeira mão, o conteúdo de mensagens e registros oficiais que colocam o médico recém-formado Guilherme Oliveira Gonçalves, natural de Grajaú, no centro de uma denúncia de abuso funcional e crime eleitoral. O profissional teria atrasado a saída de pacientes internados no domingo de votação (04/10/2026) com o objetivo de impedir votos na oposição.

A mensagem vazada partiu de um grupo de conversa intitulado "Concorrência", enviada às 13h01 do dia da eleição. No diálogo, o autor declarou: "Minha parte eu fiz, os pacientes que são petista vão ter alta do hospital só amanhã", finalizando a frase com um emoji de risada. A imagem veio acompanhada da foto do médico e do cartão de identificação profissional emitido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A denúncia aponta uma manobra intencional para segurar pacientes internados para impedir o voto, conduta que viola o Código de Ética Médica e configura crime pelo Código Eleitoral. Reter pessoas convalescentes no ambiente hospitalar sem necessidade clínica também pode caracterizar o crime de constrangimento ilegal e prevaricação.

Raio-X dos contratos em São Paulo

Documentos oficiais obtidos pela reportagem no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), com competência de setembro de 2026, mostram o mapa de trabalho do profissional. Embora tenha raízes em Grajaú, Guilherme concentra suas atividades no estado de São Paulo, onde cumpre plantões na rede pública e privada.

O sistema do Ministério da Saúde registra uma carga declarada de 96 horas semanais dividida em cinco vínculos profissionais. O médico atua no Sistema Único de Saúde (SUS) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Maria Dirce, em Guarulhos, com 36 horas ambulatoriais como clínico e outras 36 horas como pediatra, sob contrato intermediado por pessoa jurídica.

Na mesma cidade, Guilherme mantém contrato na UPA São João Lavras, onde constam mais duas escalas de 6 horas semanais como clínico e pediatra. Na rede privada, ele atua como clínico geral no Centro Clínico Taboão da Serra, estabelecimento registrado sob o CNPJ 44.649.812/0285-71, com 12 horas semanais.

O histórico do CNES revela que o médico ingressou nas UPAs de Guarulhos em dezembro de 2025 e passou pela Unidade Básica de Saúde (UBS) Ponte Grande entre maio e julho de 2026.

Formação recente e ausência de especialidade

Dados do Conselho Federal de Medicina confirmam que Guilherme é recém-formado. O médico graduou-se em 2025 pela Faculdade Presidente Antônio Carlos (ITPAC), em Porto Nacional, no Tocantins. Ele obteve sua primeira inscrição no Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO 9124) em dezembro de 2025 e transferiu o registro definitivo para São Paulo (CRM-SP 286173) em março de 2026.

A consulta pública no CFM atesta que Guilherme atua como clínico geral e não possui nenhuma especialidade registrada. Apesar de constar oficialmente no SUS de Guarulhos na função de médico pediatra, o profissional não possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área infantil. O cadastro oficial também não aponta inscrição secundária no Maranhão.

Histórico comercial e processos da família em Grajaú

Guilherme é filho do comerciante Francisco da Silva Gonçalves, figura conhecida no município de Grajaú. A família iniciou suas atividades no ramo de secos e molhados com uma mercearia e expandiu os negócios para o comércio varejista de materiais de construção civil.

A trajetória da família na cidade reúne disputas levadas ao Poder Judiciário. Francisco da Silva Gonçalves responde na comarca de Grajaú a uma ação cível movida pela concessionária Equatorial Maranhão (Processo nº 0803835-27.2022.8.10.0037). A distribuidora de energia ingressou no Juizado Especial Cível cobrando dívidas e irregularidades no consumo, sob acusação de desvio no medidor elétrico do estabelecimento.

Em 2021, o pai do médico mobilizou a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPMA) após o furto de fios elétricos de seu comércio (Ação Penal nº 0801631-44.2021.8.10.0037). O caso resultou na prisão e no processo penal de um morador da cidade pelo crime de furto simples, episódio que gerou debates na comunidade sobre a rigidez da queixa por furto de valor isignificante para se mover toda a estrutura do estado.

Próximos passos e espaço aberto

Até o fechamento desta edição, o médico Guilherme Oliveira Gonçalves, seus representantes legais e a administração das unidades de saúde citadas não responderam às tentativas de contato da reportagem. O espaço segue permanentemente aberto para manifestação da defesa.

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